sábado, 28 de agosto de 2010

Enfim, da verdade. Por fim.

Onde andarão as palavras que lhes devo? Devo pensar que me pertencem, estas que fogem de mim como raios na tempestade de verão? As minhas palavras pertecem a uma verdade que não é só minha. A verdade não é de ninguém, mas está ao alcance de todos. "A minha verdade". Isso ainda me perseguia. Não tenho mais verdade. Hoje prefiro ter a mim apenas. Não era habitual saber-me propriedade inalienável de mim mesma. Mas o que pode haver de mais inalienável do que o desejo, que nos dá os únicos itinerários que seguiremos à risca? Então, não é o desejo a grande verdade de cada um? Ou seria a grande mentira? O maior dos mentirosos adora se enganar. A patologia está em acreditar, vejam só! (Aquela outra adorava confiar...)

Acredito nessas palavras. Creio em mim com a veemência que dedico à arte, indecifrável código dos sensíveis. Acredito que vou saber me cuidar. Mas, o que será das palavras?

Ora, que vislumbre! Acabo de perceber que não estão fugindo, as danadas... Estão dançando! Ensaiando... Ah, dancem! Na hora do baile, todas estarão no salão. À disposição.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

À amiga que aprendeu a amar.

Essas palavras eu não queria dar. Mexeriam em aspectos encravados demais. Também não lhe podia negá-las. Então, mexeu. Mas, acredite, eu sei o que é estar perdida. Sei perfeitamente o que é não encontrar refúgio, não poder pedir arrego. Conheço intimamente a sensação de não encontrar uma escolha que não machuque, um caminho que não leve consigo um mínimo de dor. Sei o que significa desejar ardentemente fazer a coisa certa e, ainda assim, sentir que tudo continua errado. Sei bem o que é encontrar paz em lugares improváveis, impossíveis e inadmissíveis. Segundos milagrosos que parecem curar da loucura entranhada nesses termos do sentir, aos que optamos quando definimos quem ou o que seremos em cada vida.
Eu queria poder dizer que tudo ficará bem, mas a verdade é que eu não sei se será assim tão simples, gostaria muito que sim, que fosse sempre justo, sempre válido, sempre real... Mas tudo pelo que vale a pena viver é sempre difícil. Eu não posso lhe dizer que porque tem tudo pra não ser, assim o será. Não, ponto. Eu quis tanto não acreditar sozinha nas minhas coisas sagradas. Mas era não, não e não. Do não eu já sabia, difícil era encontrar quem me falasse do sim. Desse só eu soube. Esse sempre foi exclusivamente meu. Mesmo agora quando muito daquilo com que eu me importava me foi tomado, eu ainda tenho o que sempre foi unicamente meu. Se eu guardei, se cuidei, se zelei ou não, só eu sei. E, mesmo agora, bebendo essa solidão voluntária, só eu sei das coisas que em mim habitam o espaço do íntimo.
De tudo que eu cogitaria mudar, não me arrependeria de ter sentido, vivido, chorado ou repetido nenhuma das coisas que estão no topo da lista do que não se faz. E já fui suficientemente testada nesse sentido. Esse é o meu destino, cujos passos, eu coreografei e venho ensaiando em meus sonhos desde que tenho lembrança.
Em tese, embora pareça que eu sei muito, a verdade é que, como a grande maioria, do que importa de verdade, eu só sei o que sinto.
E, hoje, eu sinto tudo demais.
Uma dica válida: Viva com o coração.

Se precisar de ajuda, é cortesia da casa!

=o*

segunda-feira, 12 de julho de 2010

a uma amiga, do assunto inacabado.

(Por uma vida menos medíocre...)

Essa coisa de aniversário, inferno astral e blá bla blá tem me feito pensar longamente sobre a minha vida. Certas inquietações despertaram de um coma induzido por mecanismos avançadíssimos de autodefesa. Nesses termos, deveria ser diifícil até saber o que não pensar, mas os pensamentos chegaram pra ficar e se instalaram por todos os lados. Já não dá pra fingir indiferença ou forjar distanciamento. A hora é de confrontar.
Não quero esperar que as boas coisas aconteçam apenas quando eu tiver melhor condição financeira, mais (matur)idade e/ou ainda mais reesponsabilidades (nunca menos) que não deixem tempo para pensar em tudo que não estou fazendo e que nunca fiz. Percebi que essa vida vindoura, o futuro, pertence à mesma vida que vivo agora. Que o que acontece ideologicamente lá, pode perfeitamente acontecer aqui, imediatamente, desde que eu me desprenda da idéia ilusória de que o que tenho de mais importante a fazer agora é pensar no depois. Quando eu estiver lá, mais perto do fim derradeiro dessa existência, nao vou poder "desplanejar" tudo e refazer planos que deram errado. O passado será algo inalterado. Aí então, pensarei, insatisfeita, no que estou fazendo hoje. As sementes certas a plantar são os sonhos que pretendemos realizar e fazemos isso sonhando, pregando sonhos, a forma menos densa das nossas vontades, mas a representação fiel de quem somos e do que queremos ser. Eu quero ser feliz. Quero ser amada. Quero amar. O que estou fazendo para que isso aconteça? O que tenho feito? Tem funcionado? Minhas sementes têm germinado? O quanto da felicidade e do amor que almejo eu tenho alcançado?
Todos os ontens e amanhãs desta vida são uma coisa só enquanto existência e o tempo é o agente de nossa condicional. Ser livres depende de como lidamos com ele.
Quase três décadas podem significar, no final das contas, três minutos ou três vidas de evolução.
Eu não pretendo perder mais nenhum segundo. E você?

(continua...)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

ação!

É preciso voltar a fita e rever certas cenas em câmera lenta.
Os detalhes escondem respostas às perguntas que jamais serão feitas.
A luz mudou, o filme acabou, a claquete sinalizou. Fim. A edição agora vai cuidar de mudar o que a estética vaidosa da memória deseja apagar. Pistas que levam aos erros que não podem ser reproduzidos. Detalhes... Zoom? Não dá pra ver. Segue editando. Corta. Corta. Enxuga. Imprime. Fim. Lacunas. Vasculha a lixeira. É preciso completar o tempo. Cento e vinte minutos com os créditos. Cuidado com a censura. Não encha linguiça. O que ficou pra trás de importante que não mudará o contexto? Vasculha o lixo. Lixo, lixo, lixo. Acha a cena. Diminui o brilho. Encaixa. Confere. É seguro. Assina a ficha. Lacra a cópia. Envia.

"a memória é um ilha de edição. câmara de ecos."

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Que bons tempos esses novos... Bem a tempo!

Demoram uma eternidade pra chegar e duram apenas o necessário para que se possam lembrar. São assim os momentos pelos quais mais valem a pena esperar... Mas, para quem conta o tempo de outras formas, há sempre aquela insistência atrevida em inverter esses ponteiros injustos em prol da vontade, menos que da saudade... da presença física, além da famigerada materialidade passageira do estar. Não se trata apenas de estarmos agora, mas de sermos, a partir de agora, tudo o que temos para ser.

Ainda há o restante da noite, uma madrugada e uma manhã inteiras, mas eu não conto horas, minutos... Prefiro medir suavemente a extensão cósmica desse sentir, desde o último domingo até, quem sabe, amanhã ao meio-dia, a deixar o tempo brincar de me torturar, como é de costume àqueles que não sabem esperar. Eu tive de esperar esse momento até aprender a merecê-lo e sei disso porque, suspreendentemente, o medo usual foge de mim à medida que se aproxima a hora de zerar a distância. Será porque aprendi a inverter os tais ponteiros ou, simplesmente, porque esse é o rítimo e o sentido das coisas que precisam e devem acontecer? Bem, lanço aqui a questão, mas o importante é que esse tipo de resposta nunca demora muito a aparecer...


"Eu ando em frente por sentir vontade"
(I’ll let you stay with me if you surrender...)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Um dia a gente percebe que deu importância a um monte de coisa boba e que, na verdade, nem ligava pra elas... Mas alguém ligava, alguém comentava, alguém achava, alguém julgava... Alguém aconselhava... Alguém mais sábio, mais inteirado, mais maduro, mais vivido, alguém "de fora", alguém que não sabe como está por dentro, alguém que não viu como foi por dentro, alguém que não vai sentir quando a saudade apertar, quando a dor bater forte... A gente acha que sabe menos, porque faz mais que os outros, porque fica mais que os outros, a gente tenta mais vezes e, por isso, quebra a cara mais vezes. Às vezes a gente acredita na balela que é mais sensato fugir da dor, mesmo que fuja também da coisa mais importante que existe na vida que é amar e se deixar amar. Aí a gente percebe que foi tolo apenas por não ter sido mais a gente, não ter assumido nossa incapacidade de virar as costas pro que parece não valer a pena, mas que vale demais pra negligenciar, por não ter assumido nossas fragilidades, nosso medo e procurado um abrigo em si, em vez de sair correndo sem nem saber pra onde. A gente vê que estupidez foi seguir os instintos alheios e ignorar os próprios anseios e os clamores do nosso coração. E, nessa hora, a gente se vê de mãos tão vazias que é impossível não se questionar sobre o que fizemos de nossas próprias vidas. O que fizemos com nossas chances de felicidade? Ao redor, todos estarão ainda com seus pequenos momentos sublimes, alternados com as crises e problemas que sempre vêm, mas estarão vivendo cada um deles até o fim, refiro-me àqueles que entenderam a quem pertencia o próprio destino e as próprias decisões.
Nunca ouvir dizer que viver era a coisa mais fácil do mundo e, se assim fosse, qual seria o sentido de tudo isso? Eu prefiro acreditar que tem coisas que são pra passar e outras que vem mesmo pra ficar, mas a gente tem de saber diferenciar uma da outra. Se a gente se confunde demais ou se dá demais ao luxo de não querer saber, quando menos perceber, já não vai mais, sequer, conseguir se reconhecer.
Eu, de minha parte, ainda prefiro muito mais saber quem eu sou, sem precisar que me digam quem eu devo ser. Prefiro os meus próprios erros e o meu próprio aprendizado. Prefiro cair por minhas próprias pernas quantas vezes se fizerem necessárias pra alcançar o meu topo, o meu máximo. É melhor se arrastar um pouco e levantar-se em seguida, do que passar a vida dependendo das muletas alheias. E eu lamento muito por quem escolhe esse caminho, porque uma hora ou outra, certamente, vai acabar desistindo de chegar a qualquer lugar.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

considerações sobre o ódio.

Eu nunca havia entendido pra que serviam sentimentos horríveis como raiva, ódio, rancor... De repente, o impossível aconteceu e eu até me sinto mais humana, terrivelmente mais humana. Esses abomináveis "sentimentos" nada mais são que ferramentas de auto-defesa, não para todos, eu acho. Não para os que se utilizam disso para destruir os outros, mas é bom para quem deseja destruir alguém dentro de si mesmo. Não sei como fica depois que vai passando, porque tenho consciência de que não dura mais que o necessário, já que tenho um coração puro (e como o tenho!). Acho que deve ser como uma espécie de rebordose de uma droga alucinógena qualquer, que impulsiona, motiva a fazer coisas irrefletidamente durante um certo período e depois traz uma puta ressaca moral. Né assim? O ódio, para pessoas como eu, deve ser bem por aí. Não vai ser bom pra mais ninguém enquanto ele estiver aqui dentro, sinto muito. Aliás! Acho que vai ser sim... bom pra todo mundo que me fizer esquecer dele pelo tempo que for, porque eu vou estar plena de mim, sem aquela baboseira sentimental insuportável, sem aquele chorôrô chatérrimo e mais calma com a ajuda do meu mais novo amigo-doutor-de-infância, que me entende mais que ninguém! Pensando melhor, vai ser bom pra todo mundo, inclusive pra quem eu temporariamente odeio, porque agora vai poder reinar feliz e livre em toda a sua pseudo-perfeição, sem ter de esbarrar comigo por aí (coisa que vou tratar de evitar) e lembrar que a imperfeição às vezes é muito mais deliciosa, excitante, atraente e completa, muito mais do que ter exatamente aquilo que a gente acha que quer. Porque, na verdade, a gente nunca sabe exatamente o que quer, a gente só imagina como deve ser, mas só é bom quando não vem impecavelmente igual ao que se imaginou (até porque a imaginação não é fotográfica). Se a gente já sabe o que vai vir, que nem quando compra um produto bacanérrimo qualquer que alguém tem e compra um igualzinho, sem nenhuma pequena diferença, perfeitamente igual ao que a gente já viu e vem aquela sensação de que não precisava tanto daquilo quanto pensava... Agora, se a gente pede uma cor diferente, ou qualquer outro detalhe insignificante... vale muito mais a pena, não? Porque a gente não quer nada perfeito, nem padrão, a gente quer fazer da imperfeição a coisa mais perfeita e quer mostrar pra todo mundo que aquilo só é perfeito pra gente, porque foi feito sob medida e não adianta tentar copiar! Por isso peças únicas são tão caras. Por isso customizar tá na moda. A minha moda agora é odiar o amor que eu senti por quem não merecia. Pode parecer errado pra todo mundo e espero que essa moda não pegue, mas esse é o meu jeito imperfeito de fazer as coisas. E, quer saber? Tô nem aí pro que pensem. (porque ninguém faz e nunca fez idéia do que eu sinto.)
"água de torneira não volta
e eu vou embora
adeus."